sábado, 28 de fevereiro de 2015

Eurasianismo : Pilares de Multipolaridade


O espaço Eurasiático tem como se desenvolver com base em três grandes núcleos de poder a refletir sua projeção hoje e em futuro próximo.
Com bases não apenas econômicas mais também afinidades políticas, geográficas e culturais podem se erguer três grandes blocos complementares e daí a unidade eurasiática como fonte do equilibrio multipolar e débacle da hegemonia liberal atlantista.
A Rússia tem como agregar um pilar sob sua potência militar e energética complementar a dois eixos, um econômico ante uma Alemanha novamente soberana e outra pelo peso político e simbólico de uma França no cenário europeu.
Este primeiro pilar sofre a oposição natural de um Reino Unido que sempre cresceu ante a divisão da Europa e possui valores e espaço muito diferente das demais nações do continente.
A China com seu poderio econômico, militar, mais principalmente cultural e simbólico tem como liderar um outro pilar em unidade com a Indonésia agregando uma potência energética que tem tudo para se agregar a cultura política chinesa contra a presença atlantista que os cerca tanto sob as bases da Austrália como e principalmente de um Japão que sem o tamanho e as potencialidades indonésias inevitavelmente tende a ser um predador e não um parceiro como se inclina a China.
A inserção chinesa no mundo se fez a base do respeito as soberanias e a não interferência em assuntos internos de outras nações e se expandiu durante todo esse tempo convivendo e contornando habilidosamente àereas de influência de outras nações, assim sendo o Gigante chinês não tem a necessidade prática de ter um pilar extenso e assim confrontar seus outros parceiros, a própia tradição política chinesa ainda reforça o quadro por um isolacionismo tático e metódico que pouco tem a apostar em um pilar para além de sua influência cultural milenar.
A China ainda possui as credenciais de mediar possíveis tensões entre os outros dois pilares bem mais extensos e complexos, além do russo, oque projeta a Ìndia.
Não restam dúvidas que apesar do colosso chinês devido a sua economia planificada e tendência de isolamento, caberá a Ìndia o papel de grande potência econômica do século XXI. Por seu gigantismo e localização geográfica, a Índia ainda possui a vantagem de resolvido os problemas com seu vizinho Paquistão e a identidade islâmica ter como pilar toda a região mais rica em recursos energéticos do planeta : o Oriente Médio e o Norte da Àfrica. Por diversos fatores, desde o tamanho continental a potência econômica e uma política externa terceiro-mundista bastante ativa, estabelecendo sua soberania sob o Oceano Ìndico a consequência inevitável é sua proximidade com o Oriente Médio e o Norte da Àfrica. Tensões pontuais podem surgir com o pilar russo, mais nada que não seja contornável como por exemplo a aceitação por vínculos históricos, políticos, culturais e econômicos da Armênia como integrante do pilar russo e este a aceitação do Azerbaijão no pilar indiano por toda sua história conexa ao Irã. E cabe ao Irã a chave de expansão e de mediação dentro deste pilar indiano e deste com o pilar russo. O Vizinho Paquistão, o Irã, além da Turquia e o Egito seriam as potências que com seu equilíbrio dariam coesão ao pilar indiano.
Tais pilares, a qual dependem a projeção, mais também o desenvolvimento e soberania de toda a Eurásia se farão em oposição ao eixo liberal liderado pelos EUA que terão como naturais as parcerias das potências atlânticas do Reino Unido e do Japão.

Eurasianismo

Eurasianismo - é a base de uma ideologia revolucionária, rejeitando a universalidade, a unicidade e a ausência da alternativa para a dominação do sistema Atlântico de valores.

Depois que a União Soviética foi destruída, e o campo capitalista perdeu seu oponente, Francis Fukuyama proclamou "o fim da história". Como pode ? Porque a história de desenvolvimento é necessária que pelo menos dois pólos. Por exemplo, em termos sócio-políticos, há uma certa tensão dialética entre capitalismo e socialismo. Sua luta dá a dinâmica do processo histórico, energia. Quando o campo soviético foi derrotado e realmente capitulou perante o Ocidente, dissolvido, auto aniquilado, neste momento, Fukuyama declarou o fim da história. Do ponto de vista dialético, faz sentido, porque sem o segundo pólo, não há nenhum movimento. Projetando a mesma idéia sobre a categoria de geopolítica, vemos que o final da história virá como resultado da vitória estratégica absoluta do atlantismo sobre Eurasianismo, que representa a única oposição. Além disso, os americanos declararam que a irreversibilidade da sua vitória quase completamente realizada.

Eurasianismo, combinando, num sentido global, os adversários do triunfo americano, desafia o fim da história. Um Eurasianista é quem se opõe ao fim da história. Estamos prontos para lutar por um curso diferente do processo histórico, postulando o segundo pólo, ou seja, Eurasianismo em sentido lato.

Alexander Dugin "Geopolítica da pós-modernidade"

De Theory of Eurasianism

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

BRASIL : PROJEÇÃO INICIAL

O Brasil em suas melhores tradições político-diplomáticas não busca uma política externa pautada na tutela ou tornar nações menores "sua periferia". Seria até mesmo oposto as bases do meridionalismo que advoga a soberania e o desenvolvimento do Terceiro Mundo.
Com esse pressuposto o Brasil tem como projeção inicial uma "aliança de primeira ordem" com a Argentina, sem a unidade e a confluência de interesses, por mais difícil que por vezes seja, entre as duas potências sul-americanas é impossível criar uma unidade maior e um espaço comum com autonomia ante os demais centros de poder global.
O pressuposto de "economias complementares" faz o Brasil agregar o Mercosul e a Bolívia em sua projeção de modo a criar aí uma base econômica que um membro fortaleça o outro e todos se complementem a depender menos de forças externas.
O petróleo da Venezuela, o gás natural da Bolívia, as culturas temperadas agrícolas argentinas e uruguaias são complemento natural as culturas agrícolas tropicais/subtropicais brasileiras, isso além de contar o enclave fiscal aberto do Uruguai que facilita transações financeiras diversas sem comprometer as demais nações que podem vir a seu auxílio caso este saia de controle.
O parque industrial brasileiro, muito maior e mais diversificado que os demais membros do Mercosul+Bolívia ainda é um fator a ser estudado para o bem dessa complementação econômica e aí considerar oque desse parque é realmente nacional e oque é transnacional. É a indústria que gera dividendos e ajuda no desenvolvimento da nação e complementa com outras neste espaço que deve ser estimulada.
É um projeto ousado e muito promissor, e igualmente inevitável para o Brasil ter o mínimo de autonomia e com ele levar a Argentina e a América do Sul de forma benéfica, se complementando e não disputando ou uma nação marginalizando outra.
Para além das economias complementares, há o espaço político de projeção inicial brasileira - seus vizinhos sul-americanos, que é obrigado a lidar e unidos podem se ajudar a ter autonomia e levar a cabo seus própios projetos sem intervenção ou tutela externa.
Daí surge a Unasul e a urgência da retirada de tropas e bases de potências externas na região.
Como espaço político cabe ao Brasil e também a Argentina e incluso com vistas a impulsionar e preservar o espaço de economia complementar administrar, mediar e preservar os demais equilíbrios de poder regionais para que se integrem ao espaço da Unasul e não vão buscar em poderes externos suas garantias.
Desses equilíbrios pesa o entre Colômbia e Venezuela, sendo a Venezuela parte do espaço de economia complementar, oque cabe-nos tecer laços econômicos de parceria com os colombianos para não se sentirem fragilizados e atuando como mediador sério e neutro nas questões que necessitarem ser observadas. Estimular entre ambas uma complementariedade econômica no que for possível que distencione as fraturas políticas e dar força para cada qual construir seu projeto nacional com o Brasil e não com poderes externos, secundarizar as alianças externas que ambos possuem e são em muito a causa de fraturas políticas.
O outro equilíbrio é entre o Peru e o Chile, um Chile bem mais desenvolvido, mais um Peru com população e potencialidades mais promissoras, com vastos recursos minerais e energéticos equilibrados pela potência do cobre que é o Chile.
O Peru é a saída do Brasil ao Pacífico e o Chile pode ser este facilitador a Argentina e assim ambas as potências os integrando e cada qual responsável a no fim integra-los ao contexto regional maior.
É um grande desafio a qual o Mercosul e a Unasul ainda engatinham mais é o desafio no qual está o destino do Brasil e da região.
Sem essa projeção inicial, todo o restante será falho.
Agora qualquer projeção neste sentido só se fará se o Brasil demonstrar ter interesses própios e não apenas ser um braço de interesses externos e neste demonstrar o interesse pela autonomia regional.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Hegemonia dos EUA : Núcleo e Estratégia


A Hegemonia dos EUA e suas principais bases e anseios na atualidade : manter a Europa e o Japão em uma parceria tutelada e dominar regiões estratégicas de matérias-primas para controlar o desenvolvimento global; por fim levar a lona ou isolar as nações que fazem oposição a seus intentos que assim se tornam alvos de sua máquina de agressão.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O IMPÉRIO DE DORNELLES

Francisco Dornelles é um político de herança familiar que a tempos influencia decisivamente a história brasileira.
Esteve próximo ao Presidente falecido Tancredo Neves, foi decisivo na manutenção de um status de direita liberal após a ditadura, um dos grandes articuladores do processo de privatização e hoje "com um pé dentro e um pé fora da base governista".
Dornelles por todo esse período foi uma das cabeças em perpetuar e aprofundar o poder do cassino financeiro global sobre a economia e a vida política brasileira.
Hoje inegavelmente é um dos políticos mais poderosos do Brasil e oque é mais decisivo é ser a força que empurra a direita liberal "Sudeste adentro" - Rio de Janeiro e Minas Gerais que sempre foram reticentes a essa política denominada "paulistização", referindo-se as elites paulistas.
Dornelles está pronto para "implodir o Governo Dilma" a menos que esse caia de joelhos a receita social-liberal e assim galgar mais uma etapa no aprofundamento do liberalismo umbilicalmente ligado ao financismo e aos centros do capitalismo global.

Essa influência se expandiu com a ascenção de seu sobrinho o Governador Aécio Neves e o êxito de conseguir atrair o PSB, em especial o pernambucano a sua aliança.
Mais sua rede se fez no domínio das direções do PMDB Brasil a fora pelas prerrogativas aecistas e de seu PP a qual é "cacique cada dia mais incontestável".
A eleição de um de seus mais entusiastas aliados o notório Deputado federal Eduardo Cunha o levou a, de fato, dirigir os destinos da Câmara Federal.
Dornelles pauta governo, oposição e PMDB, oque o dá com certeza poder que poucos chegam a contrastar.

Esse poder se tornou um pouco mais visível com a vitória de Luiz Fernando Pezão para o Governo do Rio de Janeiro que trouxe Dornelles como seu vice-governador.
Mais Dornelles já era uma das "influências pardas" sob o Governo Sérgio Cabral e aliás o mesmo Pezão veio do PP de Dornelles...
Poder no Estado que beira a hegemonia com a Presidência da ALERJ (Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) por um de seus maiores aliados, o Deputado Jorge Picciani que fez campanha com Aécio e contra Dilma no Rio de Janeiro lançando o lema do "Aezão" (Aécio & Pezão).

Mais de onde se origina o poder desse homem ? Suas alianças locais, na Cidade do Rio de Janeiro explicam em muito.
Começam dentro do própio PP com o clã Lins na região de Madureira ligados a um segmento comercial influente embora suburbano e que preza muito "a paz na região comercial de Madureira" a qual tutelam a muito tempo desde shoppings a mercados populares e camelódromos.
Ainda no PP temos na Barra da Tijuca com a ascenção do Vereador Marcelo Queiroz muito ligado a indústria do turismo, das escolas particulares e da especulação imobiliária, assim como e claro, com as concessionárias de ônibus da cidade.
Temos o já citados Picciani eminentes na Zona Norte da cidade e que estendem sua influência a Baixada e ao Interior como verdadeiros "coronéis regionais" praticamente criando ali um regime em que políticos bairristas se elegem e servem de acordo com os seus interesses...
Por fim Dornelles é a face que faz a ligação de Aécio Neves com a eminente família Bergher de radicais sionistas que agora erguem em seus antigos domínios a ascenção do Pastor Silas Malafaia, ardoso defensor de um neopentecostalismo que louva o liberalismo, o sionismo e a agenda conservadora liberal.
Daí se tem uma idéia de que tipo de bases fazem o poder de Dornelles.

Um poder em franca expansão, temido por todo o Estado e como todo bom jogador, "jogando nas sombras, nunca de frente".
Um poder agora mais que nunca com essas bases, um dos maiores no plano nacional.
O Império de Dornelles devora o Rio de Janeiro e o Brasil e suas perspectivas são das mais sombrias.