quarta-feira, 12 de março de 2014

Liberalismo - a morte da classe média

A proposta atual do Liberalismo e da Hegemonia norte-americana ligada as finanças não é apenas prejudicial as classes médias como visam sua extinção via concentração de renda, privatização dos serviços, deterioramento do Estado e precarização do trabalho procuram cavar um fosso cada vez maior e separar o mundo entre milionários e miseráveis. É só observar a obra do "Brasil de FHC", do ciclo neoliberal na América Latina e no que hoje ocorre nos EUA e na Europa - é o ataque frontal as classes médias. Seguir este caminho e apoia-lo é um suicídio não apenas político mais, de fato, um suícidio da classe média como classe. Apoiar a contra-hegemonia e a oposição ao liberalismo é hoje requisito para a classe média continuar existindo embora seja cada vez mais "média" e não "alta ou baixa" mais continuará existindo e não será jogada "no campo dos miseráveis".

Brasil : projeção global

O Brasil é um país que se intitula ter uma "política externa assimétrica", ou seja, pragmática, com todas as nações pautado pela conciliação, o respeito a auto-determinação das nações e a construção de um clima de "cooperação". Temos relações dos EUA a Rússia, da França a China, do Irã a Israel...
A projeção global é como um país se insere no mundo e o Brasil tem desenvolvido como eixos estratégicos para o seu desenvolvimento e sua própia defesa a começar pelo espaço da América do Sul, após a América Latina e as Américas em geral, passando a costa africana para a "defesa do Atlântico Sul como zona de paz" que é a defesa do própio espaço naval brasileiro, reforça sua identidade e entra também na Europa através da CPLP (Comunidade dos países de língua portuguesa) e a Comunidade Íbero-Americana.
O Brasil por estratégia geopolítica adotou uma "diplomacia terceiro-mundista" e que advoga a multipolaridade e nisso se aproxima dos BRICs, mais tem como o principal eixo o IBAS (Índia,Brasil e Àfrica do Sul) que é a unidade para a principal estratégia de projeção global brasileira focada no Terceiro mundo e com grandes potencialidades denominada "Meridionalismo".
Ainda muito ligado aos "centros do capitalismo" (EUA,Europa e Japão), o Brasil firma na América do Sul, na multipolaridade (com os BRICs) e com o meridionalismo (com o IBAS) para se projetar, se desenvolver e se resguardar de ameaças diversas mais que hoje vem muito da própia hegemonia dos EUA.

Presença militar Russa no mundo

Apesar de uma forte presença militar no mundo, a natureza da presença militar russa é oposta a dos EUA, enquanto a OTAN tutela a Europa a SCO é uma parceria "entre iguais" e fora dos antigos territórios soviéticos toda a presença no mundo em geral se fez em defesa de nações ameaçadas pela máquina de guerra dos EUA, nota-se a maior diferença é enquanto a maior parte da presença russa se faz com parcerias entre Estados soberanos, a dos EUA se faz por ocupação e tutela via militar. A presença militar russa no mundo é defensiva, enquanto a dos EUA é ofensiva.

Imperialismo dos EUA : Projeção Global

Como a "máquina de guerra dos EUA" se espalha e impõe seu domínio no mundo, sempre visando a tutela de nações e o domínio econômico.

Os "cofres do mundo" e "os Mestres do dinheiro"

Esse é um mapa em construção vital para se compreender oque se chamou de "Imperialismo, globalização e agora Nova Ordem Mundial".
Os "cofres" são formados por divisas em ouro e ações nas Bolsas de Valores principalmente que formam o "domínio econômico real".
Aí observamos por exemplo o Vaticano com o ouro herdado de Roma, as doações recebidas ao largo da história e mesmo suas aplicações nas Bolsas e negócios ao redor do mundo.
Temos também o famoso "Ouro de Moscou" herdado desde os tempos dos Czares e aumentado no período soviético que guardava no "cofre da nação" os dividendos e lucros de suas estatais principalmente no comércio com o "Ocidente" e em tempos mais recentes a entrada de aplicações na Bolsa, o "Ouro de Moscou" cresce hoje movido ao gás & o petróleo.
Um dos maiores cofres do mundo está em Beijing, lá pararam grande parte do ouro da antiga "Internacional Comunista" e em um regime de "socialismo de mercado" pode aumenta-lo com os lucros de negócios feitos por suas empresas estatais e ações na Bolsa, o "cofre de Beijing" também tem origem milenar no que foi confiscado das inúmeras Dinastias que governaram a China antes do período republicano e da revolução. Embora muito de seu dinamismo econômico vá em compra de papéis da dívida norte-americana e assim sem um valor real, Beijing jamais descuidou de seu "cofre, de fato" que aumenta com suas estatais agora mundo a fora.
O cofre de Teerã bem mais modesto é fruto de suas riquezas em petróleo & gás principalmente e aplicações em bolsas convertidas em ouro, toda sua riqueza milenar dinástica foi usurpada para fora da nação.
Interessante lição vem do pequeno mais importante "cofre de Caracas", a Venezuela escoava todas suas riquezas para fora e não possuía assim soberania de suas própias riquezas, porém com a nacionalização da PDVSA e o estabelecimento do "padrão Sucre" em substituição ao "padrão dólar" e o reinício da compra de ouro em pouco tempo estabeleceu um cofre coeso e independente, prova para nós que qualquer nação recuperando sua soberania em pouco tempo gera uma riqueza independente.
Mais e "todo o resto" ?
Essa história começa com o domínio das economias européia e norte-americana por duas poderosas famílias : os Rotshild e os Rockfeller. Como eles fizeram isso ? Simples, aos poucos usurpando as reservas de ouro destas nações via empréstimos e principalmente tomando os seus Bancos centrais quando tornados "independentes" e tendo o domínio da maior parte das ações nas Bolsas de Valores sendo eles os donos ou sócios das maiores empresas em milhares de negócios paralelos lícitos e ilícitos.
A partir de então usando o Imperialismo Britânico e após este o Norte-americano e por fim a chamada "globalização" expandiram suas riquezas a valores incauculáveis e exerceram seu domínio na maior parte dos "cofres do mundo" comprando seu ouro e os impondo o padrão dólar de valor fictício e sob seu controle, se tornando majoritários nas Bolsas de Valores via também controle ou sociedade com as maiores empresas e assim exercendo o controle e a chantagem sobre o própio "fluxo de capitais" ao redor do planeta.
A "Nova Ordem Mundial" é o domínio completo do mundo pela cúpula Rotshild-Rockfeller daí os alvos postos que se opõe serem as nações que possuem "cofres independentes" e repudiam o padrão-dólar na economia e por isso destruíram nações como a Líbia e o Iraque logo como primeira ação "tomando seus cofres".
O objetivo final é terem a hegemonia das riquezas reais e depois se desfazer do fictício "padrão-dólar" jogando assim o mundo numa era de miséria a qual possam "limitar a população" que sempre foi seu objetivo final para exercer domínio pleno sob a humanidade.
Eles vivem em realidade e possibilidade concreta dos "sonhos loucos" de vilões de desenhos animados em "dominar o mundo".
Por ora "cofres independentes" como o de Beijing e o do Vaticano são "mais tolerados" pois se interelacionam com outros cofres sob seu domínio e assim tentam uma "forma de dominação indireta" que aos poucos os levem ao domínio também "destes dois grandes cofres", os maiores fora de suas garras.
Peço a contribuição dos amigos para aprimorar este mapa.


Como o mundo caiu nas garras "do capital financeiro" e a quem este "capital" esconde e representa : https://www.youtube.com/watch?v=tAhWtKIt5nA

Da democracia liberal para a democracia popular !

UM ANO SEM HUGO RAFAEL CHÁVEZ FRÍAS - Há exatamente um ano, precisamente no dia 05 de março de 2013, recebemos um triste informe, capaz de abalar o noticiário em nível latino-americano e mundial. O falecimento de Hugo Rafael Chávez Frias despertou apaixonadas discussões sobre sua história e seu legado. Destaque-se, então, a história dele na Venezuela.

Hugo Rafael Chávez Frias era militar de origem, e bebeu nas fontes do Movimento Bolivariano presente nos países andinos e caribenhos, existente há muitas décadas. Notadamente na Venezuela, podemos afirmar que o Movimento consolida-se a partir do nascimento do EBR 200 (Exército Bolivariano Revolucionário), em 1977. O EBR 200 admitia em suas fileiras apenas militares. Pouco tempo depois, em 1983, o tenente coronel Hugo Rafael Chávez Frias cria o MBR 200 (Movimento Bolivariano Revolucionário), evolução do EBR 200 e que passou a admitir em suas fileiras civis e militares.

O movimento bolivariano, muito enraizado no pensamento popular da Colômbia e da Venezuela, remete, por óbvio, aos movimentos de independência política ocorridos na América do Sul há cerca de 200 anos. Reivindicam-se enquanto herdeiros políticos do libertador Simon Bolívar, nascido na própria Venezuela, e propugnam pelo que chamam de segunda independência sulamericana.

Entendem que os países sulamericanos vivem espoliados pelo imperialismo que surrupia riquezas naturais e mantém na pobreza, no abandono e na ignorância os povos dessas nações, contando, para tanto, com a subserviência das elites econômicas de cada país, que preferem, sempre, garantir seus lucros antes de pensar no desenvolvimento econômico e social de suas gentes.

É sabido que em fins dos anos 70 o mundo ainda vivia no contexto da Guerra Fria, certo também é afirmar que o Chile de Salvador Allende, primeiro presidente socialista eleito pelo voto popular nas Américas, sofreu um brutal golpe de estado em 11 de setembro de 1973 e ali foi testado, de forma cruel, brutal e assassina, os parâmetros da Escola de Chicago. O Chile do golpista Augusto Pinochet foi o laboratório do neoliberalismo que viria a tornar-se hegemônico quando da queda do Muro de Berlim, em 1989, e subsequente desintegração da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em dezembro de 1991.

Antes desses episódios, podemos afirmar que a ascensão de Karol Wojtyła enquanto Papa (Papa João Paulo II) em 1978, bem como a eleição de Margaret Thatcher no Reino Unido em 1979 e a eleição de Ronald Reagan nos EUA em 1980 foram fatores decisivos para conformar o 'novo' mundo pós Guerra Fria. Não nos esqueçamos também de Mikhail Gorbachev, da glasnost e da perestroika!

Neste cenário de início dos anos 90 a nova hegemonia liberal, amplamente vitoriosa e arrogantemente triunfante mostra a sua face no episódio da Guerra Iraque-Kuwait. Os EUA lideram, como donos do mundo, uma poderosa coalisão diplomática e militar que dobra com facilidade inimaginável um Saddam Hussein que fora aliado do ocidente até 1988, Saddam atuou de forma crucial para conter a Revolução Iraniana através da cruenta e terrível Guerra Irã-Iraque, que durou longos oito anos (1980 à 1988).

No Brasil, na Venezuela, no México, Argentina, enfim, em todos os países sulamericanos, a 'boa nova' liberal (ou neoliberal) chegava avassaladora como um furacão incapaz de ser controlado. Fernando Collor de Mello, Carlos Andrés Pérez, Carlos Salinas de Gortari, Carlos Menem e outros menos cotados encarregaram-se de abrir as portas e as janelas das nações latino-americanas ao credo capitaneado pelos vitoriosos da Guerra Fria. Esses movimentos de abertura indiscriminada das fronteiras econômicas provocaram um desequilíbrio interno muito grande nos países, viu-se a recessão, o desemprego, o arrocho salarial e a fome que vicejaram como há muito não se via. As explosões sociais não tardaram a surgir, em maior ou menor grau, desde o Rio Grande até a Patagônia.

Especificamente na Venezuela, o descontentamento popular com a abertura indiscriminada promovida pelo presidente Carlos Andrés Pérez, no início de 1989, ocasionou trágicas consequências sociais. A convulsão e o desespero das gentes teve ápice no doloroso episódio chamado 'Caracazo', ocorrido em fevereiro de 1989. Centenas de mortos e milhares de feridos, esse foi o saldo que a população venezuelana nunca mais esquecerá.

É dentro desse caldo de cultura econômica, social e política que emerge cada vez mais forte a figura de Hugo Rafael Chávez Frias e de seu MBR 200. Chávez tornou-se figura nacional no país de Bolívar em 1983, quando expôs suas teses de lançamento do movimento revolucionário. Não era um desconhecido da população quando do 'Caracazo' e já denunciava as mazelas sociais e a submissão econômica de seu país ao imperialismo que espoliava todo um povo. Controla-se a revolta de 1989, mas não a insatisfação popular, que aumenta exponencialmente ao longo do tempo, em função do tacão imposto por um dos planos econômicos neoliberais mais ortodoxos que já conheceu a região.

Em fevereiro de 1992, irrompe a sublevação militar comandada por Chávez. Fracassam as tentativas de controle do poder e Chávez é detido, julgado e condenado. Ficaria preso até 1994. Neste momento de fracasso, por mais incrível que possa parecer, Chávez tornou-se mais querido entre a população e amalgamou suas teses junto a grande massa de venezuelanos desalentados pelo chaga neoliberal.

No cárcere, não parou mais de escrever e de gravar vídeos que eram repassados em todo o país, contendo as teses do movimento bolivariano. Em novembro de 1992, novamente fracassa uma tentativa de retirar Carlos Andrés Pérez do poder, feita de forma descoordenada por setores da Força Aérea Venezuelana. Em 1993, finalmente Carlos Andrés Pérez é apeado da cadeira presidencial, para alívio dos venezuelanos.

Em 1994 Hugo Chávez sai do cárcere. O dia da saída mais parecia uma cena de filme hollywoodiano. Centenas, milhares de pessoas o aguardavam em festa em frente ao presídio. O tenente coronel Chávez aparece, agora liberto, e sai caminhando entre o povo, sendo abraçado e beijado como um herói. Inicia uma bateria de viagens internacionais, das quais a mais significativa foi a feita até Cuba, em dezembro de 1994, onde palestrou em várias universidades a convite de Fidel Castro.

Renunciou ali, a pedido de Fidel Castro, da estratégia militar de tomada do poder pelas armas para iniciar a fulminante estratégia de chegada ao poder através dos mecanismos tradicionais. Suas bandeiras principais, que galvanizaram em definitivo a maioria do povo venezuelano, foram a convocação imediata de uma Assembléia Nacional Constituinte originária, o fim imediato do neoliberalismo e a construção de uma nova independência econômica, política e cultural para a Venezuela. O acerto da mudança de estratégia não tardaria a dar frutos.

Depois de percorrer dezenas de países e de caminhar incessantemente em todas as partes da Venezuela, Hugo Chávez finalmente se elege com a chancela do voto popular e a frente do Movimento V República, em novembro de 1998. Ali punha-se termo aos longos 40 anos de 'puntofijismo' putrefato.

A cerimônia de posse do Presidente Chávez foi em fevereiro de 1999 e a cena não podia ser mais original. No juramento, Chávez quebra o protocolo e jura da seguinte maneira: "Juro diante de Deus, juro diante da Pátria, juro diante de meu povo, e, sobre esta moribunda Constituição, cumpri-la. E impulsionarei as transformações democráticas necessárias para que a república nova tenha uma Carta Magna adequada aos novos tempos. Eu juro."

Bem ao estilo surpreendente e desconcertante que marcaria para sempre toda a sua trajetória!

Eleito com 56% dos votos, logo em seu primeiro dia de mandato cumpre com sua proposta principal de campanha e convoca um plebiscito chamando o povo a se manifestar sobre a necessidade de convocar uma nova Assembléia Nacional Constituinte. Com 81% dos votos, a população diz sim ao processo constituinte, que é então chamado e produz a tão aguardada Carta Magna adequada aos novos tempos. Essa nova Carta foi sufragada e aprovada por 71% dos venezuelanos em dezembro de 1999.

Em 2000, cumprindo os dispositivos da nova Carta, Chávez concorre e vence as eleições com 59,7% dos votos. Inicia profundas transformações estruturais como a reforma agrária e a retomada do controle estatal sobre a companhia petrolífera PDVSA.

Chávez rearticula também o poder da OPEP, que não se reunia oficialmente desde o ano de 1975 e que, por injunção política dele, e para desespero do imperialismo acostumado com o petróleo a preço de bananas, ressurgiu com força a partir da reunião feita no segundo semestre de 2000, em Caracas. Em dezembro de 2000, convoca novo plebiscito para modificar a estrutura sindical do país, vence-o com 62% dos votos. As reações não tardariam.

O descontentamento dos sindicatos de trabalhadores e patronais, somado as profundas mudanças estruturais impulsionadas e a permanente referência ao seu amigo pessoal Fidel Castro colocam o país em polvorosa. Iniciam-se as greves, os locautes e as conspirações militares abertas e transmitidas ao vivo, exigindo a sua renúncia. Inicia-se o ano de 2002. Em abril de 2002, tem sequência a tentativa de golpe de estado contra Hugo Chávez, que fora sequestrado e levado para uma ilha. Assume o golpista Pedro Carmona, presidente da Federação Industrial, apoiado pelos remanescentes do sindicalismo cuja estrutura fossilizada Chávez pulverizou e com o apoio do Departamento de Estado dos EUA.

A indignação e a fúria da população venezuelana veio como um tsunami. Tiros nas ruas e as emissoras privadas passando desenhos do Pica-Pau e dizendo que tudo estava sob controle... Em menos de 24 horas, o povo sublevado e tomado de ira indescritível ocupa as ruas e exige a volta do Presidente Constitucional. Militares leais dão o contra-golpe e Chávez volta nos braços do povo. A película "A Revolução Não Será Televisionada" narra esses acontecimentos com impressionante riqueza de minúcias e detalhes.

Vencido o golpe, Chávez ainda enfrentaria uma greve petroleira de mais de 03 meses e um referendo revocatório de seu mandato, em 2004. Vence o referendo com 59% e ruma para a reeleição em 2006. Antes, em 2005, a oposição boicota as eleições legislativas e deixa o parlamento livre para os chavistas até o ano de 2010. Nas eleições de 2006, Chávez vence com acachapantes 63% dos votos e consolida o movimento bolivariano depois de oito anos de duras e renhidas batalhas com a oposição.

Encerro por aqui a apreciação dos processos eleitorais venezuelanos. Concentrei a avaliação entre 1998 e 2006 porque é neste tempo histórico bem determinado onde se percebem as principais lutas entre situação e oposição. A partir de 2006, Chávez se consolida, assume o comando pleno do processo político venezuelano, estabiliza as forças armadas e não é mais ameaçado por golpes de estado. Cumpre destacar que o PSUV foi criado apenas em março de 2007, após a consolidação do movimento bolivariano. Feita a breve digressão histórica, é hora de sair da descrição e passar para a avaliação.

Hugo Rafael Chávez Frias mudou o eixo da política venezuelana e latino-americana. Assumiu sozinho a luta anti-imperialista e anti-neoliberal, tal qual um Dom Quixote, numa conjuntura de terrível isolamento numa região dominada por governos de orientação submissa aos dogmas do liberalismo galopante. Seus maiores legados são, indiscutivelmente, a luta pela superação do modelo neoliberal (que só restaria completa com a ruína deste modelo em 15 de setembro de 2008) e a luta incessante pela integração econômica, política, social, cultural e de infra-estruturas da América Latina, sonho de Simon Bolívar que ele assumiu enquanto causa maior de sua existência.

É bom salientar que o sucesso da integração latino-americana jamais teria êxito sem as eleições de Lula em 2002 e de Néstor Kirchner em 2003. Aos poucos, com recuos e avanços diversos, vários governos progressistas foram eleitos em toda a região e a integração passou do plano dos sonhos idílicos para a possibilidade real.

Frutos dessa luta pioneira de Chávez, temos hoje a UNASUL, a CELAC, a ALBA, o Conselho de Defesa Sulamericano e o fortalecimento do Mercosul, consolidado com a entrada da Venezuela enquanto membro pleno do bloco em 2012. Gostaria, por fim, de lembrar um pouco sobre o Movimento dos Países Não-Alinhados, surgido nos anos 50, para se contrapor a dicotomia da Guerra Fria.

Eu diria, em rápidas palavras, que Hugo Chávez poderia muito bem estar na lista de grandes personalidades que lutaram antigamente contra o colonialismo, pela independência econômica dos povos, por soberania e desenvolvimento social. Eis algumas das personalidades históricas do Movimento: Sukarno, Jawaharlal Nehru, Mohammed Mossadegh, Gamal Abdel Nasser, Josip Broz Tito, Fidel Castro, Patrice Lumumba, etc. Não é a toa que todas essas pessoas são odiadas pelo imperialismo até os dias de hoje.

Hugo Chávez foi o campeão da integração regional, aspiração que estava adormecida na América Latina. E foi o campeão da luta anti-imperialista. Por isso e por várias outras razões, ele já é uma figura histórica de grande relevo e cuja memória será lembrada por muitas e muitas décadas. Hugo Chávez honrou antigas tradições de luta por uma política externa independente, no melhor estilo dos bons tempos do Movimento dos Países Não-Alinhados.

Fica de Hugo Chávez um legado de soberania e consolidação dos avanços sociais para o povo venezuelano e um exemplo de que é possível construir um rumo diferente para os países da América Latina. E tudo isso feito com ampla democracia e participação popular. Se Hugo Chávez não deixou uma Carta Testamento, nos moldes da escrita por Getúlio Vargas, em 1954, podemos dizer que o seu testamento político é de esperança e de uma profunda visão estratégica, de uma paixão pela construção da unidade latino-americana e de um fervor sempre renovado em busca da emancipação de fato e de direito dos povos oprimidos pelas amarras imperialistas.

Uma grande personalidade, um grande líder político, pioneiro, arrojado, com grande visão de futuro, e, acima disso tudo, um grande ser humano, que está marcado para sempre na memória coletiva das populações de nossa querida América. Este é o saldo, positivo, da bela existência e da profícua e coerente luta de Hugo Chávez, luta que tirou a região da letargia, da pasmaceira e que abriu novos caminhos que precisam cada vez mais ser consolidados.

A luta de Hugo Rafael Chávez Frías não foi em vão, pois é a luta histórica de milhões de cidadãos e cidadãs de toda a América Latina. Luta esta, aliás, que o Comandante Bolivariano soube despertar com toda a energia, como nenhuma outra liderança já houvera feito antes em nossa região.

O Movimento Bolivariano, ao que parece, não se esgota com a morte de Chávez, tudo indica que é um fenômeno de alcance mais profundo, que extrapolou as fronteiras do país caribenho. Cumpre agora seguir e aprofundar seu legado de soberania e de integração regional.

Neste momento em que assistimos a um recrudescimento do fascismo em nível mundial, decorrente dos pérfidos efeitos do Crash de setembro de 2008, e que tristemente repete os efeitos políticos do Crash de outubro de 1929, é preciso reconhecer a imensa falta que está fazendo ao mundo a figura do Comandante Hugo Rafael Chávez Frías.

Mas façamos como ele, resistamos sem temor!

Viva Chávez! Chávez vive!

Texto de Diogo Costa

FORÇA MILITAR-DIPLOMÁTICA DEFENSIVA DO BRASIL PERANTE O IMPERIALISMO NORTE-AMERICANO

Quem hoje é a ameaça prioritária ao Brasil com pressões internas e externas é o Imperialismo norte-americano que em sua luta hegemônica quer o domínio de nossos recursos naturais, controle sobre nosso processo de desenvolvimento e controle sobre nosso poder de influência na região que contrabalança seus interesses de "tutela estratégica" do continente americano e assim de seus recursos.
Assim a defesa do Brasil hoje se dá formulando alianças regionais e globais com nações que sofrem processo similar e resistindo aos aliados internos do imperialismo tentando um "arranjo de convivência" no continente americano que possibilite nosso "espaço vital" e desenvolvimento regional, também no ramo militar para defender as riquezas nacionais e regionais e naturalmente dando apoio a processos similares mundo a fora.
Para o interesse nacional brasileiro hoje apoiar um mundo multipolar é a garantia de ter soberania.